A Forma Com Que Julgamos, Seremos Julgados: A Importância da Autoavaliação
É curioso como a nossa visão funciona para os erros alheios.
Conseguimos perceber com extrema facilidade as falhas das pessoas ao nosso
redor, mas temos uma dificuldade enorme para enxergar as nossas próprias
limitações.
Uma palavra mal dita por alguém logo nos incomoda. Uma
atitude errada chama nossa atenção imediatamente. Um pecado cometido por outra
pessoa parece evidente e claro aos nossos olhos. Mas, quando o assunto são as
nossas próprias falhas, quase sempre encontramos um atalho, uma justificativa
ou uma desculpa confortável.
Foi exatamente sobre essa inclinação do coração humano que
Jesus ensinou no Sermão do Monte: "E por que reparas tu no cisco que
está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu próprio olho? Ou
como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, vendo que tens uma
trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás
claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão." — Mateus 7:3-5.
1. O Propósito de Jesus Não É Ocultar a
Verdade, mas Mudar o Coração
Ao falar sobre a "trave" e o "cisco",
Jesus não disse que nunca devemos ajudar alguém a corrigir seus erros. A Bíblia
nos orienta a instruir e restaurar uns aos outros com espírito de mansidão (Gálatas
6:1). Contudo, o Mestre deixou claro que a transformação precisa começar
dentro de nós.
Antes de tentarmos ser cirúrgicos na vida do próximo,
precisamos passar pelo exame do Espírito Santo. Quem reconhece suas próprias
fraquezas e depende da graça divina se torna naturalmente:
· Mais
misericordioso:
Pois lembra que também é alvo do perdão de Deus.
· Mais
humilde: Pois
entende suas próprias limitações.
· Menos
disposto a condenar:
Pois troca o pedestal de juiz pela posição de aprendiz.
2. O Orgulho Aponta o Dedo; a Humildade Dobra
os Joelhos
Existe um contraste direto na vida cristã: o orgulho nos
faz apontar o dedo, enquanto a humildade nos faz dobrar os joelhos.
Quando o profeta Natã confrontou o rei Davi, o rei não viu o seu próprio pecado até que a verdade lhe fosse escancarada. Mas, ao reconhecer sua falha, Davi não justificou a si mesmo; ele orou pedindo uma transformação interior: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno." — Salmo 139:23,24.
Antes de tentar mudar alguém, permita que Deus transforme o
seu coração. Antes de procurar defeitos ao seu redor, peça ao Senhor que revele
aquilo que precisa ser tratado dentro de você.
3. Enxergando Através dos Olhos da Graça
Quando deixamos Cristo remover a "trave" dos nossos
olhos, nossa visão em relação ao próximo muda drasticamente. Não passamos a
ignorar o erro, mas deixamos de olhar com condenação e passamos a enxergar com amor,
graça e compaixão.
Jesus não nos chamou para sermos juízes da conduta alheia.
Ele nos chamou para sermos discípulos que vivem aquilo que pregam, manifestando
o fruto do Espírito (Gálatas 5:22,23).
Nota: no ensino bíblico sobre o julgamento, existe um equilíbrio fundamental entre a vida individual do cristão e a responsabilidade da liderança da igreja. Se, por um lado, o cristão individualmente não deve assumir o papel de juiz do coração alheio, reconhecendo suas próprias limitações e falhas, por outro, a Escritura estabelece que a liderança da igreja (presbíteros) possui a obrigação ministerial de julgar e zelar pelas causas do povo de Deus (1 Coríntios 6:1-5). Entretanto, esse julgamento não é uma licença para a vaidade ou autoritarismo, mas um dever espiritual para manter a ordem, a paz e a pureza do corpo de Cristo. Para exercer essa incumbência com fidelidade, a liderança deve seguir três pilares fundamentais: (1) Padrão das Escrituras Sagradas: o julgamento do presbítero não se baseia em opiniões pessoais ou costumes humanos, mas estritamente na Palavra de Deus (2 Timóteo 3:16-17); (2) Misericórdia e Amor: toda disciplina e resolução de conflitos devem visar à restauração do irmão e ao cuidado com as ovelhas, nunca à destruição (Gálatas 6:1); e (3) Justiça Imparcial: as causas devem ser examinadas com retidão, sem favoritismos ou parcialidade, refletindo o caráter justo de Deus (Deuteronômio 1:17; 1 Timóteo 5:21). Enquanto a atitude pessoal do crente é pautada na humildade e na autoavaliação, o papel pastoral é exercido como um serviço de proteção e instrução à comunidade, equilibrando a verdade com a graça.
Uma Reflexão para Hoje
A mensagem do Evangelho nos convida ao autoexame contínuo diante da presença de Deus. Faça a si mesmo esta pergunta hoje: Você tem gastado mais tempo procurando os erros dos outros ou permitindo que Deus transforme o seu próprio coração?
Clique no vídeo curto e veja a importância da autoavaliação.



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