"Personalidade Forte" ou Falta de Caráter? A Transformação na Vida de João
Marcelo Victor R. Nascimento
Você já conheceu alguém que justifica reações
explosivas dizendo: "Esse é o meu jeito, sou muito sincero"?
Ou quem sabe você mesmo já tenha usado a sua personalidade para passar pano em
uma atitude que, no fundo, foi pura falta de educação?
Olhar para a história do apóstolo João nos mostra que
Jesus não aceita essa desculpa. A trajetória do "Filho do Trovão" ao
"Apóstolo do Amor" é uma das maiores provas bíblicas de que o
Evangelho não muda apenas o nosso destino eterno; ele destrói o nosso velho
temperamento para reconstruir o nosso caráter.
1. Quando confundimos ira com zelo
espiritual
Tudo começa em uma viagem a caminho de Jerusalém. Ao
passar por uma aldeia de samaritanos, Jesus e Seus discípulos foram rejeitados.
A reação de João e de seu irmão, Tiago, foi imediata e violenta: "Senhor,
queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir, como Elias também
fez?" — Lucas 9:54
Eles tinham poder, tinham um precedente bíblico
(Elias) e achavam que estavam defendendo a honra do Mestre. Mas a resposta de
Jesus foi um balde de água fria: "Voltando-se, porém, repreendeu-os,
dizendo: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do Homem não veio
para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las." — Lucas
9:55-56
Jesus não elogiou a coragem deles. Ele não chamou
aquela agressividade de "zelo pela verdade" e não tolerou a violência
disfarçada de defesa da fé. Ele os repreendeu. Nem toda reação forte vem
de Deus. Muitas vezes, o que chamamos de "defesa da sã doutrina" é
apenas o nosso orgulho ferido por não termos sido aceitos.
2. Os "apelidos bonitos"
que damos aos nossos pecados
O grande perigo na caminhada cristã é romantizar o que
deveria ser crucificado. Temos uma facilidade imensa de criar eufemismos para
mascarar nossas fraquezas, como, por exemplo:
· Chamamos de "personalidade forte"
aquilo que já deveria ter sido tratado pelo Espírito Santo.
· Chamamos de "sinceridade" a nossa
pura falta de domínio próprio (Provérbios 29:11).
· Chamamos de "zelo" o que, na verdade,
é apenas o ego gritando por espaço.
João precisou entender que não bastava caminhar
fisicamente ao lado de Jesus se o seu coração continuasse reagindo exatamente
como antes. O seu chamado ministerial não era uma licença para manter um
caráter descontrolado.
Deus pode até usar os seus dons e talentos, mas Ele
nunca vai ignorar aquilo que machuca pessoas, fecha portas e escandaliza o nome
que você carrega.
3. A metamorfose: De "Filho do
Trovão" a "Apóstolo do Amor"
O que torna a história de João extraordinária não é
como ela começou, mas como ela terminou. Anos depois daquela viagem pela
Samaria, o mesmo homem que queria destruir pessoas com fogo do céu escreveu
palavras que se tornaram a base da teologia cristã: "Amados, amemo-nos
uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e
conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é
amor." — 1 João 4:7-8
Isso não foi apenas uma mudança de vocabulário ou o
amadurecimento natural da idade. Foi uma transformação radical de caráter.
Aquele que queria resolver a rejeição com destruição
aprendeu que a única resposta legítima ao mundo é o amor que se entrega. O
homem impetuoso foi moldado pela convivência com o Cristo ressurreto até que
sua identidade refletisse perfeitamente a de seu Mestre.
Quem permanece perto de Jesus não
termina igual
A história de João nos deixa um alerta e uma
esperança: ninguém que realmente permanece perto do Senhor Jesus termina a
caminhada da mesma forma que começou.
Se o seu temperamento ainda causa estragos por onde
você passa, se as suas palavras continuam ferindo e as suas reações ainda são
governadas pelo impulso, é hora de parar de justificar. Leve o seu temperamento
aos pés de Jesus. Peça a Ele que transforme o seu "trovão" em graça.
Afinal, o mesmo Deus que transforma incendiários em
pacificadores quer fazer o mesmo com você hoje.
Clique no vídeo e assista a cena que mostra a reação do apóstolo João acima referenciada (Lucas 9:54).
Referência Bibliográfica:
DUMONT, Mércia, (2026). Antes de escrever sobre o
amor...João queria ver fogo do céu cair sobre as pessoas. Disponível em: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1645793580507962&set=pb.100052320082586.-2207520000


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