O Segredo por Trás das Portas que se Fecham.
Fonte: Bispo Bruno Leonardo (Facebook).
Marcelo Victor R. Nascimento
Muitas vezes, em momentos de indecisão, transição ou
temor em relação ao futuro, recorremos a uma frase que se tornou muito comum no
vocabulário cristão: “Pai, se não vier de ti, não permita que chegue até
mim”.
Embora essa frase exata não esteja registrada em
nenhum versículo ou capítulo específico das Escrituras, a essência teológica
contida nela é profundamente bíblica. Ela revela a postura de um coração que
reconhece a soberania de Deus, confia em Sua bondade e prefere a frustração de
uma porta fechada ao perigo de seguir um caminho sem a presença do Senhor.
Para compreendermos o peso espiritual dessa oração,
precisamos olhar para as verdades bíblicas que servem de fundação para ela.
1. O Filtro da Soberania Divina
A base principal dessa afirmação está no controle
absoluto que Deus exerce sobre todas as coisas. Nada acontece no universo sem o
decreto ou a permissão divina. Para o filho de Deus, essa certeza traz um
profundo alívio: o mal ou os planos errados não têm a palavra final.
· A base bíblica: no livro de Lamentações, o profeta deixa claro que os acontecimentos históricos e individuais estão sob o comando do Altíssimo: "Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado?" — Lamentações 3:37.
Quando oramos pedindo que algo não chegue até nós,
estamos nos refugiando sob esse escudo soberano, descansando no fato de que o
Senhor tem autoridade total para frustrar planos que não glorificam o Seu nome.
2. A Natureza Protetora de um Pai
Perfeito
Outro fundamento essencial é o caráter de Deus. Nós,
por termos uma visão limitada e afetada pelo pecado, frequentemente desejamos
coisas que parecem excelentes à primeira vista, mas que guardam veneno a longo
prazo. Deus, no entanto, é o doador exclusivo daquilo que é genuinamente
saudável.
· A base bíblica: o apóstolo Tiago nos lembra de onde procedem as verdadeiras bênçãos: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." — Tiago 1:17.
Dizer "se não vier de ti, não permita"
é um voto de confiança na sabedoria do Pai. É reconhecer que o mundo pode
oferecer facilidades e o nosso coração pode desejar atalhos, mas somente aquilo
que desce do Trono da Graça trará paz real.
3. A Preservação Contra Nossos
Próprios Desejos
O ser humano tem uma forte inclinação para o
autoengano. Muitas vezes, uma oportunidade de negócio, um relacionamento ou uma
mudança de vida parecem perfeitamente legítimos, mas escondem a ruína
espiritual. Essa oração funciona como um freio de emergência para a nossa
impulsividade.
· A base bíblica: o livro de Provérbios faz um alerta severo sobre os perigos da nossa própria intuição: "Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte." — Provérbios 14:12.
Ao pedirmos para Deus bloquear o que não vem d'Ele,
estamos sendo humildes o suficiente para admitirmos que por mais excelente que seja determinada oportunidade, se estivermos enganados que o Senhor feche a porta.
4. O Alinhamento da Vontade no
Getsêmani
Por fim, o maior exemplo prático de rendição da
própria vontade à vontade de Deus foi dado pelo próprio Jesus Cristo. No
momento de maior angústia de Seu ministério terreno, Ele orou para que a agenda
do Pai prevalecesse sobre qualquer outra possibilidade.
· A base bíblica: No jardim do Getsêmani, o Salvador demonstrou a perfeita submissão: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua." — Lucas 22:42
Conclusão: Uma Oração de Renúncia e
Paz
Orar para que Deus barre o que não procede d’Ele exige
extrema maturidade espiritual. Afinal, se a porta se fechar, se o
relacionamento terminar ou se o projeto der errado após essa oração, a nossa
resposta não deve ser a murmuração, mas sim a gratidão.
Essa postura nos conduz diretamente ao cumprimento de Romanos 12:2, permitindo-nos experimentar no dia a dia que a vontade de Deus é sempre "boa, agradável e perfeita". Se algo não preenche esses três requisitos sob a ótica da eternidade, que o Senhor, em Sua infinita misericórdia, nos livre de recebê-lo.




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