O Que Temos Construído: Pontes ou Muros?
Marcelo Victor R. Nascimento
Vivemos em uma época em que romper conexões se tornou
o caminho mais rápido e, aparentemente, mais fácil. Diante do primeiro
desentendimento, a tendência é erguer muros em vez de construir pontes.
Olhando para o cenário atual, é inevitável nos
perguntarmos: por que existe tanta dificuldade nos relacionamentos entre as
pessoas? Por que tanto orgulho? Por que tanta resistência em tentar,
conversar, ouvir, ceder e preservar aquilo que ainda poderia ser restaurado?
Diante dessa triste realidade, o que pensar do seguinte verso: "Se
for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens."
— Romanos 12:18?
A Bíblia não escreveu "se for possível"
sem motivo. Deus sabia que haveria conflitos, disputas, feridas profundamente
dolorosas e corações que simplesmente não estariam dispostos à paz. Ele sabia
que, muitas vezes, o problema não seria a falta de amor, mas a falta de
humildade para dar o primeiro passo.
Para entender por que chegamos a esse ponto,
precisamos olhar para os princípios bíblicos que diagnosticam o coração humano.
1. O Orgulho que Enterra Histórias
O texto bíblico é categórico sobre o maior veneno das
relações: o orgulho. É ele que nos impede de ceder e de reconhecer
falhas. Quando escolhemos o orgulho, escolhemos a ruína da comunhão.
A base bíblica: "O
orgulho precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda."
(Provérbios 16:18)
Muitos relacionamentos que poderiam ser tratados e
curados acabam sendo enterrados porque ninguém quer "ficar por
baixo". No entanto, a instrução de Paulo em Filipenses 2:3 é o
oposto disso: "Nada façais por ambição egoísta ou por vaidade, mas por
humildade, considerando os outros superiores a vós mesmos." Sem essa
postura, a restauração é impossível.
2. A Crise da Escuta e da Empatia
Tem sido cada vez mais difícil encontrar pessoas
dispostas a preservar relações. Muitos querem ser compreendidos, mas não querem
compreender. Querem ser ouvidos, mas perderam a capacidade de ouvir o outro.
A base bíblica: "Meus
amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios
para falar e tardios para se irar." (Tiago 1:19)
Tiago nos dá o segredo prático para evitar
rompimentos bobos. Quando invertemos essa ordem — nos tornando rápidos para
falar e lentos para ouvir —, o diálogo morre e dá lugar ao julgamento
precipitado.
3. A Balança Desigual do Perdão
Outro grande sintoma da nossa dificuldade relacional é
a hipocrisia na hora de avaliar os erros. Queremos graça infinitamente
abundante para os nossos deslizes, mas aplicamos a lei mais severa e sem
misericórdia diante do erro do próximo.
A base bíblica: "Suportem-se
uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa
contra outro. Assim como o Senhor os perdoou, perdoem também vocês."
(Colossenses 3:13)
Jesus também foi claro em Mateus 6:14-15 ao
mostrar que o perdão que recebemos do Pai está intimamente ligado ao perdão que
liberamos. Relações saudáveis não são feitas de pessoas que nunca erram, mas de
pessoas que decidiram estender a mesma misericórdia que receberam na cruz.
4. O Limite da Reconciliação: Até Onde Vai a Nossa Parte?
A Bíblia é extremamente realista. Ela não diz que
sempre haverá reconciliação, porque isso depende de duas vias. Também não diz
que toda relação precisa continuar — existem cenários de quebra de confiança ou
abusos onde a distância se faz necessária.
Mas ela deixa claro em Hebreus 12:14 ("Esforcem-se
para viver em paz com todos...") que a paz deve ser buscada ativamente
enquanto houver algo que dependa de nós. Isso significa que:
· Antes de desistir, deve haver tentativa.
· Antes de romper, deve haver conversa.
· Antes de julgar, deve haver escuta.
· Antes de fechar a porta, deve haver oração
(afinal, Tiago 5:16 diz que a oração do justo pode muito em seus efeitos).
A paz exige mais do que boa intenção. Exige renúncia.
Exige a maturidade de 1 Pedro 3:11, que nos manda "afastar-se do
mal e fazer o bem; buscar a paz e empenhar-se por alcançá-la". Exige
reconhecer que nem toda guerra precisa continuar.
5. Sem Desculpas Diante do Altar
Talvez o "se for possível" esteja em Romanos 12:18 porque Deus já sabia que nem todos fariam a sua parte. O livre-arbítrio e a dureza do coração do outro fogem do nosso controle. Mas o "quanto depender de vós" também está ali para que ninguém use o erro do outro como desculpa para deixar de fazer aquilo que Deus espera de si.
A pergunta que fica para nós hoje não é se a outra pessoa merece o nosso esforço, mas se nós estamos sendo obedientes ao Senhor. No que depende de você, o que tem sido construído: pontes de restauração ou muros de isolamento?
Clique no vídeo e assista uma passagem em que Jesus fala sobre o perdão.



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