Estar preparado para responder aos ataques à fé cristã: uma expressão máxima de amor
Marcelo Victor R. Nascimento
Quando críticos
contemporâneos ou céticos abordam um cristão com o clássico questionamento: "Como
você pode crer na Bíblia, estando ela supostamente crivada de erros?",
a reação mais comum infelizmente costuma ser o recuo intelectual. Muitos fiéis
arremessam o problema diretamente para o campo de uma "fé cega",
apegando-se tenazmente à sua crença sem apresentar argumentos sólidos,
ignorando qualquer evidência em contrário. Entretanto, agir dessa forma não
apenas contraria o próprio texto sagrado, como também se revela uma profunda
insensatez prática e teológica.
O autêntico Cristianismo não nos convida a fechar os olhos e saltar no escuro. Pelo contrário, a própria Bíblia estabelece um padrão elevado de prontidão e sabedoria. O apóstolo Paulo foi categórico ao escrever: “Portai-vos com sabedoria [...] para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4:5-6). Da mesma forma, Pedro instou os crentes à preparação: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor” (1 Pe 3:15-16).
A defesa da
fé — a apologética — não é uma tarefa exclusiva para teólogos acadêmicos; é um
mandamento e uma obrigação de todo discípulo de Jesus Cristo, com especialidade dos ministros da
Palavra.
1 - O Culto
Racional e o Mandamento do Entendimento
Em seu
ensinamento mais central sobre o amor a Deus, Jesus nos ordenou: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento” (Mt 22:37). Uma parte fundamental desse amor que devemos
ao nosso Salvador consiste em aplicar a nossa mente para encontrar respostas
sinceras e profundas para aqueles que questionam a veracidade bíblica. Amar a
Deus com o "entendimento" significa rejeitar a preguiça
intelectual.
Como sabiamente aconselhou Salomão no livro de Provérbios: “Ao insensato responde segundo a sua estultícia, para que não seja ele sábio aos seus próprios olhos” (Pv 26:5). Desconstruir argumentos falaciosos e expor a fragilidade das críticas céticas faz parte do processo de manifestar a verdade no mundo.
Não há por que temer o debate sincero, pois a verdade de Deus é autossustentável e capaz de se manter firme sobre seus próprios pés. Os princípios de Deus são sólidos e não se desfazem pelo simples exercício do contraditório; ao contrário, as ideias verdadeiras, quando expostas à luz da razão e do confronto de opiniões, naturalmente prevalecem, quanto mais a Palavra de Deus, referida por Jesus como a verdade e como um instrumento que liberta aquele que A conhece (João 17:17; João 8:32).
2 - A Sólida Rocha
da Palavra vs. A Areia Movediça do Misticismo
Diferente de muitas vertentes espirituais e correntes religiosas da atualidade que apelam puramente para sentimentos místicos, experiências puramente emocionais ou a um fideísmo cego, o Cristianismo bíblico convida o homem à reflexão consciente. Ou seja, a fé salvífica é acompanhada pelo conhecimento da verdade histórica e revelada (conhecimento intelectual + vida com Deus).
Para o cristão
que busca uma vida de consagração genuína, existem dois pilares inseparáveis
que guardam a mente contra os extremos do misticismo estéril e do racionalismo
frio:
1.A Oração e a Guia do Espírito
Santo: é o Espírito de Deus quem ilumina a nossa mente
para compreender as profundezas da revelação, dando-nos discernimento
espiritual e sabedoria no momento de dialogar e aconselhar.
2.A Leitura Diligente das
Escrituras: a Palavra de Deus não é um amuleto
místico; ela possui poder intrínseco, vivo e eficaz para transformar o caráter,
renovar a mente e fornecer as respostas que o mundo tanto precisa. Ela não
apenas informa a mente, ela transforma o coração de quem busca a Deus de
verdade, sem desprezar, é claro, os dons sobrenaturais que Deus derramou na
igreja, os quais existem exatamente para santificação e salvação.
A Resistência
Histórica do Texto Sagrado
Ao longo dos
séculos, as Escrituras resistiram aos ataques implacáveis dos maiores céticos,
agnósticos e ateístas que a humanidade já produziu. Impérios ruíram, críticos
intelectuais outrora aplaudidos foram esquecidos, mas a Palavra permanece
inabalável. Jesus declarou ao Pai: “A tua palavra é a verdade”
(Jo 17:17).
Se a Bíblia
suportou séculos de escrutínio rigoroso, ela certamente pode resistir e
triunfar sobre os esforços superficiais e frágeis dos críticos incrédulos da
nossa geração. Portanto, não negligencie o estudo. Ore, consagre-se e mergulhe
nas Escrituras.
Estar preparado
para responder aos que duvidam não é apenas uma demonstração de conhecimento,
mas uma expressão máxima de amor a Deus e de compaixão pelas almas que caminham
na escuridão do engano.


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