Como ler a Bíblia Sagrada: o segredo da humildade
Marcelo Victor R. Nascimento
A Bíblia é uma fonte inesgotável de sabedoria, mas ler esse texto sagrado exige mais do que intelecto: exige a postura certa do coração.
Para absorver seus ensinamentos
com segurança e real proveito, precisamos seguir algumas orientações
fundamentais.
1. A Porta Baixa da
Humildade
O conhecimento das Escrituras é um lugar amplo e elevado, mas, como observou Agostinho de Hipona (354 - 430 d.C.), bispo de Hipona, a porta de entrada é muito baixa. O orgulhoso não consegue passar por ela.
- A presunção gera o erro: ler a Bíblia para inflar o ego ou debater é o caminho para o engano.
- A humildade protege: o leitor humilde busca apenas a verdade. Diante de um texto difícil, ele não inventa significados; ele ora, compara passagens e pede ajuda a quem conhece mais.
Regra de Ouro: ore diariamente antes de ler e busque glorificar a Deus, não a si mesmo.
2. Leite para os Fracos,
Alimento Sólido para os Fortes
As Escrituras possuem caminhos planos e fáceis, mas também montanhas altas e complexas. Deus preparou o texto para todos, sem distinção:
- O iniciante: quem ainda é fraco no conhecimento pode se alimentar do "doce leite" das passagens simples, crescendo no seu próprio ritmo.
- O sábio: pode avançar para o alimento sólido, lembrando que o verdadeiro crescimento vem de unir o ouvir ao ler e estudar.
3. O Intérprete
Verdadeiro: O Espírito Santo
João Crisóstomo (347 - 407 dC.), arcebispo de Constantinopla, afirmava
que a ciência humana não é o fator principal para entender a Bíblia, mas sim a
revelação do Espírito Santo (2 Coríntios 2:12-16). Deus nunca deixa sem auxílio quem tem boa vontade.
Se encontrar um trecho
obscuro, não desista. Continue lendo e orando. A própria
Bíblia se explica: não há mistério em uma passagem que não seja
esclarecido de forma mais simples em outro lugar.
Nota: existem regras básicas para interpretar textos bíblicos, dentre as quais estão as seguintes: (1) A Bíblia não se contradiz; (2) A Bíblia interpreta a si própria; (3) A interpretação deve estar em consonância com o ensino geral das Escrituras; (4) Deve ser considerado o contexto imediato e remoto na interpretação de determinada passagem; (5) Deve ser considerado o estilo literário do livro; (6) O Espírito Santo é o maior ajudador na interpretação bíblica; (7) O intérprete deve falar quando a Bíblia fala e calar-se quando Ela se cala, não criando doutrina doutrina em cima do silêncio das Escrituras Sagradas.
4. Pratique o que
Entende, Respeite o que Não Entende
Temos o dever de praticar
o que está claro e é necessário para a salvação. Quanto aos mistérios
profundos, contente-se em aguardar o tempo de Deus para revelá-los. A
complexidade de alguns versículos nunca deve ser desculpa para abandonar a
leitura do todo.
Como resumiu Agostinho de Hipona, a
Bíblia corrige os caídos, fortalece os fracos e consola os fortes. Seus únicos
inimigos são os ignorantes (que não conhecem seu valor), os enfermos
espirituais (que odeiam o remédio) e os ímpios (que lucram com a cegueira do
povo).
Conclusão: Guarde esse
Tesouro
A Palavra de Deus é um
privilégio paternal. Guarde suas lições no cofre do coração, medite nelas dia e
noite e extraia delas o mel espiritual, o conforto e a paz de consciência.
Vivendo de acordo com essa verdade, caminhamos sob a graça de Deus rumo à eternidade.
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aproximado da Palavra de Deus? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este
artigo!
Referência Bibliográfica:
CRANMER, Thomas. Exortação
ao conhecimento das Sagradas Escrituras (Parte 3). Website Ministério Fiel.
Disponível em: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/03/exortacao-ao-conhecimento-das-sagradas-escrituras-parte-3-reforma-500/


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