Análise preliminar sucinta do batismo em nome do Senhor Jesus
Marcelo Victor R. Nascimento
Utilizando uma combinação de
crítica textual, evidências bíblicas internas [a práxis dos apóstolos] e
evidências históricas externas, é possível desconstruir a fórmula trinitária
tradicional do batismo cristão e validar a fórmula cristocêntrica.
Segue abaixo uma análise sucinta, dividida em três eixos principais.
1. Crítica Textual e Histórico
de Alterações (1 João 5.7 e Mateus 28.19)
Existem precedentes documentados
de alterações no texto bíblico para favorecer dogmas posteriores.
- A "Vírgula Joanina" (1 João 5.7): o
uso deste versículo é um excelente ponto de partida para entendermos a
ousadia que possuem certos indivíduos em alterar aquilo que é mais sagrado
para os cristãos, a Palavra de Deus, a fim de adaptá-La às suas
interpretações particulares. É um fato pacificado na crítica textual
acadêmica [reconhecido por eruditos católicos, protestantes e seculares]
que o trecho "o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes
três são um" não existe nos manuscritos gregos originais mais
antigos. Trata-se de uma glosa [anotação de margem] que acabou sendo
incorporada ao texto latino e, posteriormente, ao Textus Receptus.
Ao verificar tal adulteração, já corrigida em muitas versões da Bíblia
Sagrada, cria-se um precedente lógico forte, qual seja: “se o texto
sagrado foi alterado em 1 João para sustentar o Dogma da Trindade, o mesmo
pode ter ocorrido no Evangelho segundo Mateus”.
- A Fórmula Trinitária (Mateus 28.19): a Bíblia
de Jerusalém [uma das traduções acadêmicas mais respeitadas do mundo] questiona
a originalidade da fórmula batismal apresentada em Mateus. Segundo tal
documento, Mateus 28.19, tal como o conhecemos, pode ser reflexo de uma
liturgia desenvolvida nos séculos seguintes [especialmente após o Concílio
de Niceia no século IV], não trazendo as palavras ipsíliteris de Jesus Cristo.
Nota histórica de apoio: para
reforçar esse argumento, costuma-se citar o historiador Eusébio de Cesareia
(século IV), que, discorrendo sobre Mateus 28.19 em seus escritos anteriores ao
Concílio de Niceia, frequentemente usava os seguintes dizeres: "Ide e tornai
todas as nações discípulas em meu nome, ensinando-as a observar tudo que vos
ordenei".
2. Evidências Internas e a
Práxis Apostólica (Atos e Epístolas)
Este é, indiscutivelmente, o
pilar mais forte da defesa do batismo em nome do Senhor Jesus, pois refere-se à prática
real da Igreja Primitiva, narrada nas Escrituras Sagradas.
- A Inconsistência Lógica: há um raciocínio
irrefutável dentro da narrativa bíblica: se Jesus houvesse ordenado
explicitamente uma fórmula trinitária exata em Mateus 28.19, os apóstolos
teriam desobedecido frontalmente a essa ordem em todos os registros do
livro de Atos, pois não procederam de acordo com o que está registrado.
- O Registro de Atos: todas as instâncias
detalhadas de batismo no Novo Testamento ocorrem em nome do Messias (Atos 2.38 em Jerusalém; Atos 8.16 em Samaria; Atos 10.48 entre os
gentios; Atos 19.5 em Éfeso). Com autoridade divina, a práxis apostólica
valida a fórmula cristocêntrica como sendo a correta em mais de um versículo.
- A Base Teológica (Colossenses 3.17): as
palavras do apóstolo Paulo ("fazei tudo em nome do Senhor Jesus")
é bastante significativa, não deixando margem para exceções [“tudo”].
Ela demonstra que a Igreja Primitiva não via "o nome"
como uma espécie de fórmula mágica, mas como o reconhecimento da
autoridade e da obra redentora realizada exclusivamente por Jesus Cristo,
justificando a razão precípua dos batismos serem realizados com invocação
direta a Ele [Atos 22:16; 1 Coríntios 6:11].
3. Evidências Externas
Acadêmicas
Para que uma argumentação não soe
como uma teoria da conspiração isolada, é fundamental o uso de fontes
independentes. Eis algumas obras literárias de grande relevância que acompanham
os dizeres da Bíblia de Jerusalém: (1) “The Encyclopædia Britannica”, 11a Edição, Vol.3, Pág. 365-366; (2) “An
Encyclopsedia of Religions”, by Maurice A. Canney, Pág. 53; (3) “The New Suhaff-Herzog
Encyclopedia of Religious Knowledge”, Vol. 1, Pág. 435; (4) “Encyclopedia of Religion
and Ethics”, by James Hastings, Vol 2, Pág. 380; (5) “A Dictionary of the Bible”,
by Hastings, James and Selbie, John, Vol. 1, Pág. 241; e (6) “Enciclopédia de Bíblia,
Teologia & Filosofia”, de R.N. Champlin, Vol. 1, Pág. 60.
- O Consenso Enciclopédico: as enciclopédias
citadas não são obras de apologética exclusivista, mas, sim, compêndios de
história, teologia e religião. A academia histórica reconhece, de forma
ampla, que o batismo cristão original era cristológico [“em nome do
Senhor Jesus”] e que a fórmula trinitária tornou-se o padrão
normativo apenas no período pós-apostólico e patrístico tardio [séculos II
e III em diante, consolidando-se no século IV].
- Peso do Argumento: a citação das enciclopédias, confere um alto grau de confiabilidade aos argumentos ora apresentados. A ideia de que o batismo original era em nome do Senhor Jesus não é apenas uma interpretação teológica minoritária, mas um fato histórico amplamente atestado por historiadores de peso.
Conclusão da Análise
As informações apresentadas acima são
uma defesa coerente, lógica e bem fundamentada acerca das verdades
escriturísticas. Elas não se baseiam apenas em opiniões pessoais, mas cruzam (1)
a prática unânime dos apóstolos na Bíblia [evidência interna] e (3) o atestado
de historiadores seculares e religiosos de grande relevância [evidência externa].
Sob a ótica de que o batismo em
nome do Senhor Jesus é o mandamento original correto, os argumentos são
conclusivos em demonstrar que a transição para a fórmula de Mateus 28.19 foi um
desenvolvimento teológico e litúrgico posterior da Igreja Romana, e não a
prática original dos apóstolos.
Referências Bibliográficas:
FLUSSER, David. (2001). O judaísmo
e as origens do cristianismo. Rio de Janeiro: Editora Imago.
NASCIMENTO, M.V.R. (2020). Santíssima
Trindade: quase dois mil anos de engano religioso. Joinville: Clube de
Autores.

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